
Domingo, Março 28, 2004
Boas Descobertas... Algumas Constatações.
Sinto-me tranqüila quando sei que apesar de algumas, não muito, interessantes constatações, temos a cada dia novas e boas descobertas.
Tive a oportunidade de conhecer novos blogs estes dias... e desta vez, diferente da última, encontrei alguns muito bem elaborados, bem escritos, sensíveis.. e, claro, para a minha admiração maior.. poéticos.
Depois de muito andar pela blogosfera, cheguei a um café, já era tarde... entrei e, calmamente comecei a ler... entre um Poetry café e outro.
Se repararem bem vão olhar exatamente para onde meus olhos olharam e talvez sintam algo como o que o meu coração sentiu.
CRÓNICAS DO NADA - UM MINUTO
Arranco o carro no desespero do atraso. Olho o relógio, olho a estrada. Contorno os carros com precisão e mestria, ziguezagueando entre eles à medida que progrido. O objectivo é claro. Chegar a ti. Estou atrasado hoje, aquele último cliente demorou em demasia e eu não consegui antes desmarcar-lhe a consulta, escusado será dizer que mal o ouvi. Agora luto desesperadamente contra o relógio e contra o trânsito para ainda te conseguir ver hoje... nem sei o porquê desta minha obsessão. Talvez sinta que ainda esmorece mais o nosso amor quando não nos vemos... talvez te sinta escapulir ainda mais por entre os dedos... só sei que há esta imensa necessidade de te ver...
"- Amar não é ter medo de se perder uma pessoa..." dizias tu... dizias que o verdadeiro amor não podia nunca ser medido pela falta que as pessoas fazem umas às outras mas sim pelo bocadinho de felicidade que se dá à pessoa que se ama, pela devoção com que nos escutamos, nos completamos, nos tornamos cúmplices. Fácil para ti falar... não estás apaixonada por ti como eu estou. Não sofres como eu a incerteza de um amor em fase terminal. Como um doente sem cura agarrado a uma última réstia de esperança, demasiado desorientado pela dose de morfina que disfarça a dor... o teu sorriso...
"- Merda... mais um sinal vermelho!" O mundo inteiro conspira no meu atraso, contra mim... carros acidentam-se barrando o trânsito, velhinhas atravessam vagarosamente nas passadeiras, o condutor do carro que vai à minha frente conversa vagarosa e distraidamente ao telemóvel, até a polícia saiu toda à rua hoje para controlar a minha velocidade. Tudo me parece puxar para longe de ti, como mãos invisíveis que me puxam pela roupa, pelos braços, pelo cabelo, que me prendem, me seguram. Será isto o destino?
Chego finalmente ao lugar combinado. Tu saíste um minuto mais cedo e eu cheguei um minuto mais tarde. Um minuto, tudo quanto basta para mudar uma vida, para decidir um destino, para dar um beijo ou trocar um olhar. O tempo consegue mesmo ser uma coisa relativa, apologia da teoria de Einstein ao rubro. Mas contrariando-o, porque por muito mais depressa que eu consiga ir, há coisas no tempo que, como o próprio tempo, não é possível retroceder. Mas também, se pudesse voltar atrás... será que mudava alguma coisa mesmo? Será que tudo não terá o seu lugar? A sua lógica...?
Fico parado com estas divagações na mente. Como o semáforo imóvel plantado na estrada. Maldito minuto, maldito relógio, maldito tempo... Tudo o que eu queria era apanhar o teu sorriso nem que fosse de relance, nem que fosse num segundo... maldito tempo... maldito segundo... maldito sorriso...
É com isto que estou quando me apercebo das horas... já estou atrasado para outra coisa qualquer.
Arranco o carro no desespero do atraso. Olho o relógio, olho a estrada. Contorno os carros com precisão e mestria, ziguezagueando entre eles à medida que progrido. O objectivo é claro. Afastar-me de ti...
de João Natal
Quinta-feira, Março 25, 2004
Poesia...
Domingo foi o Dia Mundial da Poesia.
Para todos os que sentem na poesia uma forma de vida, uma forma de sentir e um espelho da alma fica um poema especialmente dedicado a todos os que escrevem com o coração.
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa, Cancioneiro
Banda Sonora: The Raveonettes - Go Girl Go
Quarta-feira, Março 24, 2004
Estive entre o sono e o sonho...
Já agora preciso dormir!
Segunda-feira, Março 22, 2004
RECADO DE BATOM (NO ESPELHO)
Que pena que você não me vê
Baby,
Que pena que não anda comigo.
Eu tenho tanta novidade...
Coisa nova que aprendi contigo!...
Rosana Delane
Sexta-feira, Março 19, 2004
Fiz em mim um país
Decidi não ter fronteiras
Coloquei em poemas as palavras do meu idioma
Meu olhar verde coloriu as árvores, a relva
E meus braços levaram o vento
que deu vida às folhas
Desenhei lagos, vales e montanhas
E som de pássaros entrou no meu ouvido
E tive sonhos... e tive sede..
Olhei o céu sobre o meu país
vi nuvens em cores suaves,
o céu, o sol, as estrelas
Anjos em noites de luar
Fiz em mim um país...
E te mostrei para decifrá-lo
Fiz um país em mim...
na minha pele
na minha boca, olhos, ouvidos e sexo
nas minhas mãos..
E te entreguei para fecundá-lo
Fiz em mim um país
de retalhos, memórias, lembranças
Sonhos, desejos e esperanças
E fiz um país livre
solto, leve
Com sonhos de mundo
Com sonhos de fogo e de ar
E fiz assim um país... que de tão livre
Que de tão leve
saiu pelo tempo a flutuar...
(2002)
Decidi não ter fronteiras
Coloquei em poemas as palavras do meu idioma
Meu olhar verde coloriu as árvores, a relva
E meus braços levaram o vento
que deu vida às folhas
Desenhei lagos, vales e montanhas
E som de pássaros entrou no meu ouvido
E tive sonhos... e tive sede..
Olhei o céu sobre o meu país
vi nuvens em cores suaves,
o céu, o sol, as estrelas
Anjos em noites de luar
Fiz em mim um país...
E te mostrei para decifrá-lo
Fiz um país em mim...
na minha pele
na minha boca, olhos, ouvidos e sexo
nas minhas mãos..
E te entreguei para fecundá-lo
Fiz em mim um país
de retalhos, memórias, lembranças
Sonhos, desejos e esperanças
E fiz um país livre
solto, leve
Com sonhos de mundo
Com sonhos de fogo e de ar
E fiz assim um país... que de tão livre
Que de tão leve
saiu pelo tempo a flutuar...
(2002)
Quarta-feira, Março 17, 2004
Voltando à carga!!
Meu querido amigo, a nossa casa fica mais bonita, mais rica contigo! E é assim que ela faz sentido!
Estou feliz com a tua volta!!
Uma boa maneira de comemorar tua presença é lermos outra vez o que para nós é muito especial...
para ti!
beijos grandes
Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.
Fernando Pessoa, 11-9-1933
Terça-feira, Março 16, 2004
DEMOCRACIA!!!
Há mais ou menos 10 anos um professor meu dizia numa aula a propósito da queda do muro de Berlim: “Agora é que a guerra vai começar”.
A explicação era simples segundo ele, após 50 anos de um equilíbrio precário governado por duas super potências e à custas de muitas vidas , a falência de uma delas iria trazer a desagregação de todas as outras, principalmente naquele tipo de estado em que as contribuições financeiras fossem determinantes, ou os nacionalismos fossem oprimidos.
Cada dia que passa penso que ele não podia ter mais razão. Apenas com uma diferença, é que a realidade é bem pior do que a minha imaginação poderia conceber.
Depois da desagregação dos Balcãs em que milhares de pessoas foram assassinadas enquanto o mundo todo assistia impávida e serenamente, do colapso dos sistemas políticos, da anarquia em África, Argélia, Turquia, Tunísia, Afeganistão, alguns países da América do Sul e Central, das revoluções Islâmicas, temos um novo factor determinante para o equilíbrio das nações, o terrorismo religioso (?!!??).
Até à data o terrorismo na Europa era predominantemente político, como excepções tínhamos (talvez) a ETA e o IRA juntamente mais um ou outro grupo de menor expressão. Penso que nenhum país europeu escapou à senda do terrorismo como forma de impor um ideal político, Itália, França, Alemanha, Grécia e até em Portugal com as FP 25 de Abril.
Passada uma década do 9 de Novembro e duas do auge dessa actividade terrorista quase todos os que assassinaram centenas de pessoas por essa Europa fora continuam impunes e são agora esquecidos. (O absurdo em Portugal chega ao ponto do líder das FP 25 ser aclamado como herói.)
Assim, temos uma nova realidade, para a qual o mundo despertou no 11 de Setembro.
Fugindo ainda a todas as previsões que fariam supor que a humanidade em geral seria em pleno século XXI informada, esclarecida e consciente, mais um factor veio contribuir para esta instabilidade, a eleição como Presidente dos EUA de George W. Bush, um incapaz e ignorante, que entre frases tão emblemáticas e enigmáticas como totalmente descabidas e sem sentido foi minando este equilíbrio com determinações que sem qualquer sombra de dúvidas são responsáveis por um mundo cada vez pior.
De Quioto a Bagdad, como se o resto do mundo não existisse, lá foi o rapazinho do Texas governando o mundo como quem governa uma pequena taberna de cowboys lá para os lados do Texas. Entretanto, os governos e o povo do resto do mundo foram-se divertindo com os pontapés na cultura e gramática do tal presidente, entretendo-se na discussão de questões ideológicas e nada fazendo para que algo melhorasse. E como “se não estás comigo estás contra mim”, entre eixos do mal e total abandono de princípios humanistas o mundo dividiu-se. Independentemente de questões ideológicas, nenhuma divisão nestes termos poderia ser benéfica para o mundo. E em última “ratio”, todos acabamos prejudicados e alguns, mortos.
11 de Março marca uma época, na minha humilde opinião, e é determinante por duas ordens de razões.
Primeiro porque faz a Europa tomar consciência que os inimigos - vitimas destes novos profetas não são apenas os EUA, mas todas as pessoas que numa quarta-feira vão para os seus empregos. Ao mesmo tempo, esta velha Europa vê-se como alvo. Penso que não são apenas os países que apoiaram os EUA e o Reino Unido, mas todos os países. Sem excepção.
Em segundo lugar, este 11 de Março marca também o primado da consciência democrática, a derrota de Aznar após a escandalosa utilização do aparelho de estado para fins partidários, foi de facto uma vitória da democracia, mas principalmente do povo que dia após dia é enganado pelos seus governos devido à hábil utilização da informação para fins nem sempre claros, nem sempre benéficos para a humanidade, e nunca benéficos para uma sociedade que se quer justa, democrática, igualitária e próspera.
Independentemente de considerandos sobre quem é que aproveitou politicamente a morte de 201 pessoas, e apesar de ser inegável que Aznar foi um bom primeiro ministro no que concerne questões económicas e sociais, ou ainda que foi ele o responsável por a ETA ter perdido quase toda a sua expressão capturando as chefias (recorde-se que faz apenas 1 mês que um atentado da ETA foi evitado sendo descobertos mais de 1000 kg de explosivos) Aznar mereceu perder. Por mim, ao contrário das intenções de voto no dia 12, merecia perder quanto mais não fosse por causa da gestão da questão do Prestige, em que pela primeira vez utilizou a informação a seu bel-prazer em detrimento de tanto e tanta gente, sendo este o primeiro exemplo do que um governo não deve fazer, enganando o seu povo de forma escandalosa. (Não nos esqueçamos que os ecossistemas não votam, não se manifestam e que 40.000 toneladas de fuel continuam ao largo da Galiza.)
Na segunda vez que a informação foi manipulada, o povo Espanhol despertou e mostrou ao mundo o que é democracia.
Por hoje fico-me por aqui, mas vou voltar “à carga” a propósito deste tema que muito ainda vai dar que falar!
Banda Sonora: A Perfect Circle - Vanishing
Domingo, Março 14, 2004
A lucidez perigosa
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
Clarice Lispector
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
Clarice Lispector
ASSASSINOS!!!!
"AL Qaeda" confirma autoria do 11-M em um vídeo.
"Declaramos nuestra responsabilidad de lo que ha ocurrido en Madrid, justo dos años y medio después de los atentados de Nueva York y Washington. Es una respuesta a vuestra colaboración con los criminales Bush y sus aliados.
Esto es como respuesta a los crímenes que habéis causado en el mundo y en concreto en Irak y en Afganistán y habrá más si Dios quiere.
Vosotros queréis la vida y nosotros queremos la muerte, lo que da un ejemplo de lo que dijo el profeta Mahoma, si no paráis vuestras injusticias la sangre irá más a más y estos atentados son muy poco con lo que podrá ocurrir con lo que llamáis el terrorismo.
Esto es un aviso del portavoz militar de Al Qaeda en Europa".
ABU DUJAN AL AFGANI
Sábado, Março 13, 2004
O Que Há
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
Sexta-feira, Março 12, 2004
Madri chora seus mortos... todos nós choramos.
7:15 de la mañana, llego a la estación de Coslada.¡Mierda! se acaba de ir el tren!Y tengo q ir a Leganés!Por suerte, a esas horas somos tantos los q cojemos el tren q 5 minutos después llega uno. ¡Qué suerte!¡Hay un asiento libre, podré ir hasta Atocha sentado!(son 20 mins).A mi lado, dos albañiles rumanos van bromeando y riendo.Uno de ellos tiene un nokia con cámara de fotos y van haciendo el ganso.Enfrente, otro obrero,va medio acurrucado.
En el lado derecho va una pareja, deben ser de mi edad más o menos. Él,que lleva muletas, se acurruca en su regazo y se duermen juntos. Repaso un poco lo q voy a contar hoy en clase. Ya hemos pasado Entrevías, estamos muy cerca de Atocha. Miro a mi derecha a la pareja y pienso q es muy maternal su gesto. ¡¡¡BOUM!!! El tren se para en un instante,todo se va a negro.Me muevo hacia a delante y hacia atras en mi asiento ¿QUÉ? ¡¡¡BOUUUMMM!!!GRITOS.
UNA NUBE AMARILLA LO INVADE TODO. DIOS MIO TENGO QUE SALI DE AQUÍ. QUE PASA??Los dos rumanos estan-quiero pensar eso-desmayados. ¿¿HABRA OTRA??¡¡TENGO QUE SALIR DE AQUÍ!!Detrás mía hay un boquete enorme y hierros por todas partes.
No veo nada. Por fortuna, he perdido mis gafas. Soy bastante miope, así que sin gafas veo bastante borroso. Salgo a las vías. Algo me moja la cara.
Es mi sangre. ¡Vaya, fíjate cómo tienes el jersey! No veo ni oigo. No puedo ayudar. Estoy ¿aturdido? Se oyen los gritos de un hombre: ¡¡POR FAVOR!!¡¡DIOS!!¡¡POR FAVOR!!. Me dejo caer en el suelo. Van sacando a los heridos y tumbandolos en las vías. Creo distinguir a ¿una chica? no la veo bien. Tiene amputado el pie. Sacan a un señor de unos 50/55 años. Tiene destrozado el pantalón y la cara ensangrentada. Me quedo con él un rato. Se queja. Le recomiendo que se tuimbe. Estoy vivo.EStoy tan nervioso que sólo pienso eso. No oigo nada. No veo.Pero estoy vivo. Pasa mucho tiempo y aún no
han venido las ambulancias.Claro, será muy dificil q entren por aquí, con tanta vía. Hay un señor, un vecino, que se preocupa por los heridos. Va preguntando que tal nos encontramos. Se llama Ignacio. Le pido llamar a mi casa. Tras un rato lo logramos, bueno, habla él en mi nombre yo no oigo.
Al final, ha llegado la ayuda. Nos trasladan a un polideportivo.Antes, veo lo que ha sucedido enel otro vagón q ha explotado. Corrijo, ha reventado. El techo ha desaparecido y los hierros se levantan hacia el cielo. Elías, q así se llama el señor mayor y yo vamos agarrados. Dos ciegos apoyandose y alguien es nuestro lazarillo. Allí, van dejando a algunas personas, heridos más graves. Me muevo sin saber q hacer.Me siento impotente, inútil e inválido.Pero estoy vivo. Me dejo caer un rato. junto a una chica y una señora. -Perdón, ¿cómo está la cosa? Es que llevo gafas y sin ellas no veo.
Me responde la señora:-pues es una suerte q no veas. Esto es terrible. Hay muertos y amputados. Al rato, nos dicen q nos van a sacar de ahí, q un autobús nos lleva al hospital. Al final vamos en un furgón de la policia municipal. Poco antes, un médico me da unas gasas para mis orejas, q aún sangran. Llegamos al hospital. Carreras, médicos por todas partes y enfermeras. Me ve un otorrino. Parece q tengo bien los oídos, me mandan q me cosan las orejas. tengo un ojo irritado. Las pestañas se me han quemado y me han causado una conjuntivitis. Me niego a q se ocupen de mí. Hay gente más grave. No me hacen ni puto caso y me llevan en la silla de ruedas en la q me han aparcado a otra zona. Tras exámen médico: 20 puntos en la oreja izda, 12 en la derecha, perforación del tímpano derecho,conjuntivitis irritativa en el ojo derecho. Rasguños. Estoy vivo. ¿En q tren ibas tú? no entiendo la pregunta. Pues...en el de Atocha ¿por? Es que ha habido 3 explosiones más...
Espero q me perdoneis si ha sido muy largo,pero necesitaba soltarlo. Y q me perdoneis las faltas, con un ojo tapado y gafas q no me ponía desde hace años, no veo,intuyo. Gracias, un beso.
P.S.: 196 muertos. Hoy me ha tocado la lotería. Estoy vivo.
(um sobrevivente)
Quarta-feira, Março 10, 2004
O novo tempero da MPB já tem nome: é Vander Lee.
Acabo de descobrir este talentoso compositor e cantor.. assim por acaso e ainda em tempo. Um típico mineiro de jeitinho tímido, pesamentos precisos e uma veia poética me deixou mesmo encantada!
Não anda na mídia mas já pode-se ouvir suas composições nas rádios nas vozes de Rita Ribeiro, Cida Moreira, Emilinha Borba, Eliana Printes, Paula Santoro além da Gal Costa.
"Como ele mesmo garante na letra de Sonhos e pernas, "certas canções duram pouco/Outras são eternas". Tendo o tempo como aliado, Vander Lee vai se tornando conhecido aos poucos. Sem pressa, constrói uma obra digna e importante. O compositor tem o raro dom de fazer músicas boas, inteligentes e radiofônicas ao mesmo tempo. Coisas de mestre. O tempo vai provar. "
A mim já provou quando (me) cantou esta canção...
Não anda na mídia mas já pode-se ouvir suas composições nas rádios nas vozes de Rita Ribeiro, Cida Moreira, Emilinha Borba, Eliana Printes, Paula Santoro além da Gal Costa.
"Como ele mesmo garante na letra de Sonhos e pernas, "certas canções duram pouco/Outras são eternas". Tendo o tempo como aliado, Vander Lee vai se tornando conhecido aos poucos. Sem pressa, constrói uma obra digna e importante. O compositor tem o raro dom de fazer músicas boas, inteligentes e radiofônicas ao mesmo tempo. Coisas de mestre. O tempo vai provar. "
A mim já provou quando (me) cantou esta canção...
Esperando aviões
Meus olhos te viram triste
Olhando pro infinito
Tentando ouvir o som do próprio grito
E o louco que ainda me resta
Só quis te levar pra festa
Você me amou de um jeito tão aflito
Que eu queria poder te dizer sem palavras
Eu queria poder te cantar sem canções
Eu queria viver morrendo em sua teia
Seu sangue correndo em minha veia
Seu cheiro morando em meus pulmões
Cada dia que passo sem sua presença
Sou um presidiário cumprindo sentença
Sou um velho diário perdido da areia
Esperando que você me leia
Sou pista vazia esperando aviões
Sou o lamento no canto da sereia
Esperando o naufrágio das embarcações
Vander Lee
Quarta-feira, Março 03, 2004

Sou um camelo. Atravessei muitos desertos... Não tenho mais água.
Os desertos ficarão mais desertos... e daí?!

