Quarta-feira, Abril 28, 2004
 
No silêncio das nossas memórias

Tantas vezes senti a tua falta e tantas outras ainda em vão te desejei.
Não percebi quando a nossa magia acabou
Agora, estou no silêncio das nossas memórias...
E estranhamente lamento esse sentir,
lamento o perdido...
Pois ainda queria desejar mergulhar no teu olhar...
Lembrar do toque das tuas mãos sobre minha pele
Sorri teu sorriso dentro do meu...
Viver nossa paixão incontrolável, intensa.
Sentir nosso amor insaciável
Nossas descobertas
Nossos caminhos percorridos e sonhar ainda com os que nos faltou percorrer
Mas... já te perdi
Perdi-me de ti
Estou já tão distante... e meu olhar não mais lembra do teu
Somos memórias apagadas no silêncio...
Talvez em algum eco ainda exista algo de nós...
Talvez.
(04.2004)
Indicação do Passenger para a Banda Sonora: Black - Pearl Jam

Domingo, Abril 25, 2004
 
Revolução dos Cravos - Portugal
30 anos




Banda Sonora: Grândola, Vila Morena, de Zeca Afonso

Quinta-feira, Abril 22, 2004
 
Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo:
outra parte é ninguém: fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão:
outra parte estranheza e solidão.

Uma parte de mim pesa, pondera:
outra parte delira.

Uma parte de mim almoça e janta:
outra parte se espanta.

Uma parte de mim é permanente:
outra parte se sabe de repente.

Uma parte de mim é só vertigem:
outra parte, linguagem.

Traduzir uma parte na outra parte
- que é uma questão de vida ou morte - será arte?

Ferreira Gular

Segunda-feira, Abril 19, 2004
 
ÍNDIOS


Curumim chama cunhãtã que eu vou contar
Todo dia era dia de índio
Curumim, cunhãtã
Cunhãtã, curumim...

Antes que o homem aqui chegasse
As terras brasileiras
Eram habitadas e amadas
Por mais de três milhões de índios
Proprietários felizes
Da terra brasilis

Pois,
Todo dia era dia de índio
Mas agora eles só têm o dia 19 de abril

Amantes da natureza
Eles são incapazes, com certeza
De maltratar uma fêmea
Ou de poluir o rio e o mar
Preservando o equilíbrio ecológico
Da terra, fauna e flora

Pois em sua glória o índio
Era o exemplo puro e perfeito
Próximo da harmonia, da fraternidade, da alegria
Da alegria de viver

E no entanto hoje o seu canto triste
É o lamento de uma raça que já foi muito feliz
Pois antigamente
Todo dia era dia de índio

Banda Sonora: Todo Dia Era Dia De Índio
Baby Do Brasil - Canceriana Telúrica

 
Jaime Sabines III

NO ES NADA DE TU CUERPO

No es nada de tu cuerpo
ni tu piel, ni tus ojos, ni tu vientre,
ni ese lugar secreto que los dos conocemos,
fosa de nuestra muerte, final de nuestro entierro.
No es tu boca -tu boca
que es igual que tu sexo-,
ni la reunión exacta de tus pechos,
ni tu espalda dulcísima y suave,
ni tu ombligo en que bebo.
Ni son tus muslos duros como el día,
ni tus rodillas de marfil al fuego,
ni tus pies diminutos y sangrantes,
ni tu olor, ni tu pelo.
No es tu mirada -¿qué es una mirada?-
triste luz descarriada, paz sin dueño,
ni el álbum de tu oído, ni tus voces,
ni las ojeras que te deja el sueño.
Ni es tu lengua de víbora tampoco,
flecha de avispas en el aire ciego,
ni la humedad caliente de tu asfixia
que sostiene tu beso.
No es nada de tu cuerpo,
ni una brizna, ni un pétalo,
ni una gota, ni un grano, ni un momento.

Es sólo este lugar donde estuviste,
estos mis brazos tercos.

Jaime Sabines

Banda Sonora: The Cure - All Cats Are Grey

 
OBRIGADO!!

Esta semana fiz anos. Caramba! Os anos passam a voar...
Não ligo muito à questão da idade, apenas quando tenho de correr, aí sim, enquanto vou arfando penso que talvez não tenha a forma que tinha à 15 anos.
Normalmente no meu aniversário junto a família e mais do que celebrar mais um ano que passou, celebramos o facto de estarmos vivos e na companhia daqueles que fazem a vida valer a pena ser vivida.
Sou um homem com sorte e todo o tempo que vou passando por cá, é pouco se penso nas pessoas com quem partilho estes anos, estes aniversários, esta vida.
Fui abençoado com uma família fantástica e com amigos que não sendo família o são. Todos eles fazem e fizeram de mim o que sou hoje e se alguma coisa de bom levarei desta breve passagem é concerteza o espaço que todos ocupam no meu coração, tudo o que recebi e o pouco que tentei dar.
Não gosto de "balanços", pois estes pressupõem que algo termina, mas é inevitável que depois da festa pensemos um pouco no tempo que passou e no que construímos no passado, ou ainda, o que o futuro nos reserva. Todos os anos peço apenas uma coisa: que o meu futuro seja pelo menos igual ao meu presente e passado.
Dizia Platão em "Diálogos" que o homem não é uma autarquia, é um ser eminentemente social não lhe sendo possível existir como uma ilha. E tinha toda a razão, a única razão que dá realmente sentido à nossa vida é o outro, a partilha, o envolvimento, a troca.
Todos os que por mim passaram, deixaram algo deles, levaram algo de mim, e sem isto nada fazemos por cá.
Estas palavrão são apenas um agradecimento a todos os que ao longo dos anos me enriqueceram, me fizeram crescer como homem.
Sem mencionar nomes pois voçês sabem quem são, o meu MUITO OBRIGADO.

Banda Sonora: The Cure - A Forest

Sexta-feira, Abril 16, 2004
 
Quinze anos...

Hoje, aqui no Brasil ainda é 15 de abril, faz 15 anos que te foste.. não de nós exatamente, pois quem viveu, ensinou e nos deu o que nos destes nunca poderá ir de nós, porque tu.. tu estás aqui dentro de nós eternamente.. nos teus gestos, nas tuas atitudes, nos teus olhos de eterno carinho, na tua maneira doce de compreender, de ter paciência e sobretudo de ser sempre esperança e fé, e no quanto tudo isso fez de nós, teus filhos, pessoas melhores... a tua presença física faz-nos falta sim.. às vezes essa falta chega a nos dar dor física.. Temos saudades dos carinhos, dos afagos, das torcidas pelas nossas conquistas.. mas a tua presença dentro de nós é tão forte que nos faz também fortes para permanecemos contigo além da tua presença física.. Mãe te amo cada dia mais! Te amamos! E sei, sabemos, o quanto privilegiados fomos e somos nós de termos merecido ter a ti como a nossa mãe!
Hoje, nem tenho palavras que te mereçam.. por isso, transcrevo aqui as palavras escritas por um dos teus muitos filhos há 11 anos atrás...


TRIBUTO A DORACY

NO MEIO DA VIDA

Você, que no meio de tantas alegrias, sonhos e tanto a realizar...
Você, que no meio da vida alegrou-se, sonhou e talvez realizou...
Buscou meios e certamente os encontrou.
Você foi o divisor e o equilíbrio entre a calmaria e a vendaval.
Foi o meio de buscarmos a paz interior e o melhor caminho a seguir.
Você nos foi tanto meio que no meio da vida e no meio do mês nos deixou.
o que nos conforta e o que nos faz sentir fortes é que o teu amor e carinho, por nós, não é meio, metade, e sim, tudo.
E que em meio a tantas saudades e contentamentos, ao mesmo tempo, nós jamais seremos capazes de te esquecer, ao contrário, nós iremos a cada dia, te amar e te admirar cada vez mais.
Você hoje não vê como nós vemos, mas é capaz de ver o que você é e será sempre o nosso meio de viver.
Você é tudo isso, e nós te amaremos ainda que mudem o conceito de eternidade.

Oscar,
Recife,15 de abril(Sábado) de 2000

Quinta-feira, Abril 15, 2004
 
Os indiferentes

Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel, acredito que “viver significa tomar partido”. Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive ao pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador e a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos (...)
Odeio os indiferentes também porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram e sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura, que estamos a construir (...)
Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.
Antonio Gramsci
La Cittá Futura, 11-2-1917

Quarta-feira, Abril 14, 2004
 
Um presente, uma prenda...? Um poema!
Que sejas eternamente feliz!!


Agora e antes

Preciso dizer que te amo
Antes que minha voz fique muda
Antes que a lua se vá
E as estrelas não mais brilhem no alto

Preciso dizer que te amo
Antes que nossa música acabe
E teus braços desenlace minha cintura
Preciso dizer-te agora, que teu coração bate no ritmo do meu

Agora que sinto teu cheiro, tua boca na minha pele
Agora e antes que a nossa música acabe

Preciso dizer que te amo
Antes que o dia amanheça
Que a tarde me envelheça

Preciso dizer que te amo antes que meu amor cresça
E para fora de mim... salte!
E de mim se esconda no universo

Preciso dizer que te amo
Agora e antes de dizer-te outra vez.

Domingo, Abril 11, 2004
 

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna." (João 3:16)

Do hebreu Peseach, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. Para os cristãos, celebramos a passagem de CRISTO - "deste mundo para o Pai", da "morte para a vida".
Com esse sentimento de reflexão que a paixão de Cristo nos remete, somos levados a avaliar sobre a culpa, o perdão, a vida, o amor, a morte, a penitência, a solidariedade e a liberdade.
Certamente estes deveriam ser valores constantes em nossas vidas.. e se assim fosse, não veríamos tanta violência como,lamentavelmente, temos visto. O sangue de Cristo continua a ser derramado pelos quatro cantos do mundo.
Vamos renascer... vamos deixar que em nós haja lugar para a paz, a compreensão, a justiça, o amor, a fraternidade, a solidariedade... renovemos nossa fé, celebremos a nossa páscoa a exemplo dos ensinamentos que Jesus Cristo nos deixou!
Que a fé nos transforme em oleiro que molda, pacientemente, com suas próprias mãos um vaso novo.
Senhor... transforma minha vida.. quero renascer!!
Tenham todos uma boa Páscoa!

 
Sabines II & Feliz Páscoa

Mais um do Jaime Sabines, com os votos de uma muito feliz Páscoa para todos.
Que aproveitemos estes dias para pensar um pouco no que temos construído e em que base. Areia? Cimento? ou apenas vento...
A palavra de Cristo foi Amor... convém não esqueçer.
Um abraço apertado a todos os amigos e amigas, que não esquecendo esta Palavra estão no meu coração.


HE AQUÍ QUE TÚ ESTAS SOLA...

He aquí que tú estás sola y que estoy solo.
Haces tus cosas diariamente y piensas
y yo pienso y recuerdo y estoy solo.
A la misma hora nos recordamos algo
y nos sufrimos. Como una droga mía y tuya
somos, y una locura celular nos recorre
y una sangre rebelde y sin cansancio.
Se me va a hacer llagas este cuerpo solo,
se me caerá la carne trozo a trozo.
Esto es lejía y muerte.
El corrosivo estar, el malestar
muriendo es nuestra muerte.

Ya no sé dónde estás. Yo ya he olvidado
quién eres, dónde estás, cómo te llamas.
Yo soy sólo una parte, sólo un brazo,
una mitad apenas, sólo un brazo.
Te recuerdo en mi boca y en mis manos.
Con mi lengua y mis ojos y mis manos
te sé, sabes a amor, a dulce amor, a carne,
a siembra , a flor, hueles a amor, a ti,
hueles a sal, sabes a sal, amor y a mí.
En mis labios te sé, te reconozco,
y giras y eres y miras incansable
y toda tú me suenas
dentro del corazón como mi sangre.
Te digo que estoy solo y que me faltas.
Nos faltamos, amor, y nos morimos
y nada haremos ya sino morirnos.
Esto lo sé, amor, esto sabemos.
Hoy y mañana, así, y cuando estemos
en nuestros brazos simples y cansados,
me faltarás, amor, nos faltaremos.

Jaime Sabines

Banda Sonora: Múm - We Have A Map Of The Plane

Sábado, Abril 10, 2004
 
Reflexões...

Jesus Cristo está sendo crucificado de novo, no século XXI. O mundo ficou tão cruel e frio que apagou o Cristo vazado de luz, amor e compaixão.

Estamos criando o Cristo militar, o Cristo de mercado, o Cristo de Hollywood. No cinema, em vez de lágrimas, curtimos sua morte como em um filme de terror e violência. E os fariseus lucram milhões.

O Al-Bush também o pregou na cruz republicana, na cruz do petróleo e das armas. Em nome de Cristo, ele destrói o Ocidente. Os fanáticos jogam Alá contra Cristo. Homens-bomba matam inocentes em nome de Deus.

Os falsos evangélicos usam Jesus para fazer templos de mármore com o dinheiro suado dos verdadeiros pobres de Cristo. E Cristo, coitado, morre de novo na cruz. Nunca seu nome foi tão usado em vão.

Arnaldo Jabor

Sexta-feira, Abril 09, 2004
 
Sem tela, tintas e pincéis

Quero o silêncio da noite
E quando o dia amanhecer,
Quero-te ao meu lado.
Tua pele colada à minha.
Quando os raios de sol tocarem meu corpo,
Quero que me aqueças
Sê tu meu sol,
Que me invade trazendo calor.
Sê tu meu ar,
Que acelera minha respiração.

Quando já o dia desenhado
Quero-te além de mim,
Tua alma desenhada na minha
E de nós, ver nascer um quadro
Sem tela, tintas e pincéis
Retira da luz nosso tom
Contorna-me com tuas mãos.

Quando o sol já de tão lilás...
Quiser ir embora,
Tu, dentro de mim permaneças
Em gozo infinito
Eu e tu pintados,
Calados,
Colados
Coloridos.

(março-2004)

Domingo, Abril 04, 2004
 
Jaime Sabines

Nas próximas semanas vou dedicar os meus posts a Jaime Sabines.
Por uma questão de fidelidade à intenção do autor, os poemas não serão traduzidos. Penso que todos terão facilidade em compreender as palavras, senão, a intenção.

Jaime Sabines poeta Mexicano, nasceu em Tuxtla Gutiérrez no ano de 1926
Radicou-se na cidade do México em 1949 quando iniciou os seus estudos em Filosofia e Letras. Apesar de ter escrito os seus primeiros poemas aos dezoito anos, foi na Universidade que editou o seu primeiro livro de poemas "Horal" aos 23 anos.
A sua obra tem uma marcada tónica informal o que o converte num poeta de todos os tempos, acessível a todos os que como o poeta, sentem.
A sua prosa veemente e o seu verso sentido e sensual transportam-nos para as vivências únicas de quem ama e fazem-nos viajar pelo coração do poeta. No fundo, Jaime Sabines põe no papel aquilo que muitos não conseguem, o amor, o sofrimento de amor, a sensualidade, a paixão.
Jaime Sabines faleceu na cidade do México em 1999, depois de doença prolongada deixando atrás de si uma obra completíssima em que se destaca "Fragmentos de Sombra", uma antologia da sua poesia, laureada pelo Prémio Mazatlan de Literatura em 1996.

Espero que gostem tanto quanto nós!!
Um muito obrigado a Karina Llergo Uribe que me deu a conhecer a poesia Mexicana e Jaime Sabines em particular.
Dedicado a Liliana Miranda.

NO ES QUE MUERA DE AMOR....

No es que muera de amor, muero de ti.
Muero de ti, amor, de amor de ti,
de urgencia mía de mi piel de ti,
de mi alma, de ti y de mi boca
y del insoportable que yo soy sin ti.

Muero de ti y de mi, muero de ambos,
de nosotros, de ese,
desgarrado, partido,
me muero, te muero, lo morimos.

Morimos en mi cuarto en que estoy solo,
en mi cama en que faltas,
en la calle donde mi brazo va vacío,
en el cine y los parques, los tranvías,
los lugares donde mi hombro
acostumbra tu cabeza
y mi mano tu mano
y todo yo te sé como yo mismo.

Morimos en el sitio que le he prestado al aire
para que estés fuera de mí,
y en el lugar en que el aire se acaba
cuando te echo mi piel encima
y nos conocemos en nosotros,
separados del mundo, dichosa, penetrada,
y cierto , interminable.

Morimos, lo sabemos, lo ignoran, nos morimos
entre los dos, ahora, separados,
del uno al otro, diariamente,
cayéndonos en múltiples estatuas,
en gestos que no vemos,
en nuestras manos que nos necesitan.

Nos morimos, amor, muero en tu vientre
que no muerdo ni beso,
en tus muslos dulcísimos y vivos,
en tu carne sin fin, muero de máscaras,
de triángulos oscuros e incesantes.
Muero de mi cuerpo y de tu cuerpo,
de nuestra muerte ,amor, muero, morimos.
En el pozo de amor a todas horas,
inconsolable, a gritos,
dentro de mi, quiero decir, te llamo,
te llaman los que nacen, los que vienen
de atrás, de ti, los que a ti llegan.
Nos morimos, amor, y nada hacemos
sino morirnos más, hora tras hora,
y escribirnos y hablarnos y morirnos.

Jaime Sabines

Banda Sonora: Tool - Schism


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