Segunda-feira, Julho 26, 2004
 
Uma homenagem que recebemos do  Oficina das Idéias

uma flor para... a lualil e o zoo



pelo aniversário do "Entre o Sono e o Sonho"

Vicktor, nós te agradecemos a lembrança pelo nosso primeiro aniversário.
A flor é linda assim como as tuas atitudes.
És de uma delicadeza impressionante.
Um beijo,

Sábado, Julho 24, 2004
 
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!"  

Mais uma vez concordo com as palavras do Pessoa. Valeu mesmo a pena os dias repartidos aqui neste Blog.
Não sei se sou merecedora de tantos elogios feitos pelo ZooMancer. Mas uma coisa é certa e ele sabe disso: Sempre fui inteira, sincera e verdadeira nas minhas palavras, desabafos, sentimentos, poesias... Foi um prazer mesmo muito grande ter estado ao longo deste um ano por aqui.
Porém, diferentemente dele, acho que de certa forma me sinto um pouco blogueira sim e também já escrevi coisas de fato para serem lidas, pensadas e analisadas. Alguns perceberam... outros não.
Mas o mais importante foi mesmo o retirar do que nos ia pela alma, tornando-a grande! Isto sempre foi para nós o mais importante.
Ao lembrar o convite que o Zoo me fez para dividir o Blog com ele(ele é o fundador não eu!) mais que surpresa fiquei a imaginar que juntos poderíamos ser capazes de criar um lugar interessante, bonito, leve e divertido.
Devo crer que conseguimos dado ao retorno que temos dos que por cá vieram e principalmente sabendo do que nos tornamos depois desse tempo passado.
Agradeço a todos os que aqui banharam-se nesse rio... suas palavras, comentários, críticas e sugestões.
E a ti Zoo, especialmente, agradeço a oportunidade que nos deste para olharmo-nos para nós mesmos e percebermos um pouco mais de nós a cada dia.
Agradeço por termos tido ao longo desse tempo a possibilidade de juntos observarmos o nosso rio que corre belo e sem fim entre o que somos e o que supomos ser. Também agradeço a todas as tuas sempre doces palavras.
Penso eu o que seria de tudo isso sem ti... nada!
Entre o sono e sonho... beijo-te carinhosamente.

Sexta-feira, Julho 23, 2004
 
Um ano de Sonho!!

Cá estamos nós volvidos 12 meses desde que de forma modesta abrimos este Blog.
Passado um ano e 306  posts, muito aconteceu neste nosso Blog, muita poesia, alguns desabafos, uma ou outra indignação, alguma música, mas principalmente foi aqui que eu e a Lualil depositamos algumas coisas que nos vão na alma. Este nosso "rio passou por outras margens, diversas mais além" , umas vezes de forma clara outras de forma mais subtil por aqui fomos deixando transparecer um pouco de nós e das nossas vivências.
Confesso que por mais de uma vez me fartei do Blog e me apeceteu simplesmente fechá-lo, mas ao regressar a ele reencontrei a sua razão de ser e o motivo que nos levou a querer escrever as nossas coisas ou partilhar os nossos pensamentos.
Passado um ano, tivemos alguns leitores, alguns ainda que se tornaram assíduos e que com os seus comentários, críticas ou sugestões enriqueceram o nosso Blog e nos enriqueceram a mim e à Lualil. Quanto mais não seja apenas por esta razão valeu a pena esta jornada.
Como parte desta "Blogosfera" considero-me um outsider, não me revejo na maior parte dos Blogs que vou visitando, apenas porque a maior parte deles existe tendo um público alvo, são escritos tendo em atenção quem lê, vivem apenas por quem os lê, esvaziando de alguma forma uma escrita sincera e cristalina que nós tentamos manter.
Não que não me importe com quem lê, mas apenas porque não escrevo para que seja lido.Passado um ano, posso dizer que não sou Blogueiro.
Contudo há quem nos leia e para esses uma palavra especial de agradecimento pois fizeram também deste ano um ano especial por nesta partilha terem rido connosco, terem voado com as poesias, terem ouvido nas nossas músicas a nossa melodia.
Há uns dias uma amiga dizia-me que este Blog é como uma simbiose entre dois espíritos diferentes que se completam no que escrevem. Tem toda a razão.Sem a Lualil este Blog não existiria e nunca tomaria o formato que hoje tem. A ela devemos (devo) não só toda a sensibilidade e coração que este Blog tem, mas também uma grande parte da razão da sua existência, a Lualil é a mãe fundadora deste espaço em que eu tento navegar. A ti Lualil, não apenas uma Blogueira mas também uma amiga presente e especial o meu muito obrigado por me dares o privilégio de estar neste sonho contigo.
Um ano depois, vamos tentar que daqui a mais um ano continuemos a dizer, VALEU A PENA!!
 
Banda Sonora: Faith No More - Be Aggressive

Terça-feira, Julho 13, 2004
 
Há pessoas que passam pela vida imaginando que do lado de fora há um belíssimo jardim, imaginando que o perfume está no ar.. e que tocar nas plantas, revolver a terra lhes dariam um prazer incalculável... suspeitam apenas, não têm certeza, não abrem janelas... preferem adiar o carinho, prorrogar os sentidos, os gestos, a vida.. amanhã, amanhã!
Há entretanto, outras que escancaram suas janelas e se permitem hoje ao toque, às experiências, se permitem aquecer à luz do sol, corpo e alma. Nossa vida é escolha, decisão e sobretudo, ação.
Houve certa vez alguém que teve a vida que quis e lutou pela sua causa. Há 100 anos (1904) nascia, Neftali Ricardo Reymes Basoalto que dezesseis anos mais tarde se chamaria Pablo Neruda. Sua primeira obra, O Crepusculário foi escrita em 1923, mesmo muito lírica não obteve grandes glórias. Porém no ano seguinte começa uma longa trajetória: lançou Vinte Poemas de Amor e Uma canção Desesperada, quiçá a obra poética mais lida nos últimos 100 anos nos países ibéricos e é uma referência da poesia romântica até hoje.
Teve uma vida politicamente ativa. Foi cônsul na Birmânia, depois em Colombo, Cingapura e Argentina. Em 1933 lançou Residência na Terra. Chegou à Espanha quando da guerra civil espanhola, em 1936. Não tolerou ver o fascismo deteriorar os republicanos espanhóis, acabou sendo destituído do cargo diplomático e retornou ao Chile.
Já no México, filia-se ao Partido Comunista, ajudou os refugiados espanhóis, foi eleito senador. Nesta altura, lançou outras referências poéticas como As Uvas e o Tempo em 1952 e Cem Sonetos de Amor em 1959.
Por sua popularidade foi indicado à presidência da república em 1970 pelos comunistas, porém renuncia à sua candidatura em favor de Salvador Allende. Eleito, Allende convoca o amigo Neruda ao cargo de embaixador na França. Um ano depois, Neruda é agraciado com o Nobel de Literatura. Em 1973, doente, deixa o cargo de embaixador e se isola em sua casa em Isla Negra de onde assiste, triste, o golpe militar de Augusto Pinochet, que instaura a ditadura militar no Chile. Morre então, amargurado, Neruda.
Neruda, (Pablito) abriu todas as suas (muitas das nossas) janelas, plantou sementes, colheu flores e frutos, também se machucou em espinhos mas, manteve a janela aberta iluminando e aquecendo a vida pelos raios de sol, pela esperança que o amor provoca, por seus versos de amor simples e diretos. O olhar de Neruda através de sua janela, suas ações e versos, o seu caminhar faz dele um poeta único. Neruda faz de nós encantados, desejosos em contemplar horizontes e em passear por jardins iluminados pelos raios de sol, desejosos de ação!
Neruda!! Neruda!!!


PARA MI CORAZÓN BASTA TU PECHO

Para mi corazón basta tu pecho,
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.
Es en ti la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.
He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto, como un viaje.
Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
Yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.

Pablo Neruda

Domingo, Julho 11, 2004
 
A cueca...

Há duas coisas que nunca hei-de compreender... a língua alemã (já tentei com resultados catastróficos) e por que é que o Super-Homem, sim esse mesmo, sendo fantástico, inteligente, tendo super poderes que qualquer um inveja (lembro-me de repente da visão raio-x), sendo super inteligente e tudo de bom... Usa as cuecas por cima das calças!???
Não compreendo! Já meditei longamente sobre o assunto e confesso que não cheguei nenhuma conclusão. Sei até que é uma preocupação filosófica não só minha, mas de muitos milhões de pessoas em todo o mundo.
Além de esteticamente ser ridículo não deve ser nada prático! Imaginemos o tal Super a voar por aí e de repente dá-lhe uma daquelas vontades incontroláveis de mudar a água às azeitonas... ele pára no topo de um edifício, tira a cueca e depois ainda por cima tem de tirar a fatiota!
Não deve dar jeito nenhum.
Já pensei se tal facto teria alguma coisa a ver com questões ligadas ao membro viril do Super-Homem... talvez lá em Krypton os tais membros tenham uma disposição diferente perante a gravidade e cá na terra devido a motivos insondáveis o melhor seja disfarçar a coisa... ou coiso.
Mas há um outro pormenor que me deixa perplexo, é que as cuecas do Super-Homem têm cinto!! Caramba... um cinto no cuecão é dose!
Tudo bem, eu até compreendo que deve ser muito embaraçoso para um super herói ver o cuecão a cair pela perna abaixo, então ele não é um super herói??
Devia arranjar uma solução mais engenhosa, mais super, não é?
Em conversa com uma amiga ela deu-me uma dica preciosa e nada como uma mulher para dar algum nível a qualquer dissertação, dizia ela que a razão é simples de compreender, sendo certo que em Krypton todos teriam visão Raio-X o normal seria que as cuecas fossem de chumbo não fosse alguma matrona mais espigadota tirar as medidas ao rapaz...
Pois é! Tem lógica!
Mas... então porque é que Batman usa as cuecas por cima das calças???

Banda Sonora: Alice in Chains - Would (Unplugged)

Quarta-feira, Julho 07, 2004
 
Dou-me por vencida... sinto o cansaço nos braços e n´alma de remar contra o vento forte!
Leva-me... solto minhas mãos e entrego-me ao inevitável!

Banda sonora: My Immortal - Evanescence

 
Rock´n´Roll - Um cinquentão em boa forma!!

Cinco décadas depois do nascimento oficial do rock, no dia 05 de julho, o que era revolução, hoje é produto de consumo de massa que não assusta mais os mais velhos, mas o rock não morreu.
O rock´n´roll fez 50 anos. A música country, o Gospel e o blues foi o início de tudo e Elvis Presley sua síntese.
Para muitos, foi o nascimento oficial do rock'n'roll. Com rosto, roupa, penteado e gestos novos. O jovem branco do sul dos Estados Unidos inspirou os Beatles, os Rolling Stones.
Através de Elvis, eles conheceram grandes nomes do blues. Nos anos 70, John Lennon gravou músicas de Chuck Berry, Buddy Holly, homenageou a origem de uma música universal que continua gerando novas variações e misturas. "Rock' n' roll era um termo usado no blues. Significa ter relações sexuais" diz o disck-jockey Zach Martin. Um pastor, na época, acusou o rock de ser a fonte da delinqüência.
Raul Seixas cantava que o diabo é o pai do rock. Ele se referia à primeira reação dos pais de família frente ao fenômeno de jovens dançando e rebolando loucamente - um escândalo na época: 1954.
Ao ritmo e às letras, Elvis somou os movimentos. Foi um escândalo e um tremendo sucesso!



Banda Sonora: BLUE SUEDE SHOES - Elvis Presley

Sábado, Julho 03, 2004
 
Sophia de Mello Breyner Andresen 1919 - 2004

Morreu um dos maiores vultos da literatura em Português, Sophia de Mello Breyner.
Eu conheci a sua poesia já tardiamente, mas cresci com a sua literatura. Eu como muitos, ouvi os contos infantis de Sophia e entusiasmei-me com aquele cavaleiro da dinamarca, pela boca da minha mãe e pela imaginação de Sophia de Mello Breyner, vivi histórias fantásticas e que enriqueceram a minha infância.
Talvez seja este o maior desígnio de um Artista, de um Escritor, de um Poeta, tocar na alma de quem lê.
A minha foi tocada...
Há uns 9 anos, estava no Museu Romântico quando me chamaram a atenção que Sophia de Mello Breyner estava lá. Não consegui evitar e dirigi-me a ela. Disse-lhe apenas: Muito obrigado por tudo o que já me deu.
Ao que ela respondeu com os olhos azuis sorridentes: Obrigado a ti filho.
Acho que esta resposta diz tudo sobre talvez a maior Escritora portuguesa, não apenas poetisa, não apenas intelectual (no sentido mais positivo da palavra), não somente escritora de contos infantis, mas, tudo o resto que faz de alguém, alguém especial e muito acima da mediocridade, acima da trica intelectual.
Portugal e todos os países de expressão Portuguesa ficaram hoje mais pobres, mas com a certeza de toda a riqueza que Sophia de Mello Breyner deixou.
A maior homenagem que lhe podemos fazer, é ler as suas obras.

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.



Sophia de Mello Breyner Andresen, Mar Novo (1958)


Banda Sonora: TOOL - Eulogy
Livro de Cabeçeira: Mar Novo - Sophia de Mello Breyner Andresen

 
Sophia de Mello Breyner Andresen (Eternamente...)


Sophia de Mello Breyner, por Arpad Szenes

Dizemos Sophia como se esta palavra fosse sinónimo absoluto de poesia.
Dizemos Sophia e a nossa memória enche-se do som que as palavras têm.
Dizemos Sophia e de repente o ar é límpido, as águas transparentes, há sempre uma casa na falésia e o sol faz rebentar o calor na cal das paredes.
Dizemos Sophia e todas as flores e todos os peixes têm nome, e as crianças tornam-se mais ricas quando os encontram.
Dizemos Sophia e não precisamos de dizer mais nada.
Alice Vieira

Na poesia portuguesa e europeia, Sophia é, por certo, um dos poetas que mais perto está da pulsação inicial e mágica da palavra. E por isso a sua poesia, como toda a veradeira e grande poesia, pode ser dita, cantada e até dançada.
Manuel Alegre
(na apresentação de Musa, 12/94)

É dessa aliança entre a misteriosa graça das musas e o exigente rigor de uma ética muito antiga que vive a escrita de Sophia, sempre bem ciente da degradação do "tempo dividido" que nos cabe, mas insistindo em celebrar o que resiste
Fernando Pinto do Amaral
Público, 24/12/94

Sophia Andresen, ao falar de justiça, de liberdade, de plenitude, está simultaneamente a falar de ritmos; está a excluir léxico; está a incluir organizações de tecidos vocabulares por onde o pano do discurso se desfralda em tela de prodígios.
Joaquim Manuel Magalhães
O Independente, 23/2/90

O Prémio Camões é hoje, sem dúvida, o reconhecimento maior e mais nobre que um escritor de língua portuguesa pode receber na sua área linguística. A obra de Sophia, pela sua regularidade, pelo seu equilíbrio, pela sua nobreza, pela sua pureza, justifica inteiramente o prémio.
Os leitores de Sophia, e contam-se por muitos milhares, de todas as idades e de todas as formações, que conhecem a música dos seus poemas e, frequentemente, os sabem de cor, não deixarão de regozijar-se por esta decisão, que os identifica com um prémio que é de todos nós que falamos português. A Editorial Caminho, que publica a obra poética de Sophia, associa-se naturalmente a este coro de aprovações. Parabéns, Sophia, pelo prémio. E obrigado. Obrigado pela sua confiança em nós, obrigado pela sua obra.
Zeferino Coelho, Jornal de Letras, Artes e Ideias, 16 de Junho de 1999

 
Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos

Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Quinta-feira, Julho 01, 2004
 
Infinito da minha visão


© 2003 - Carlos Freitas

As nuvens encobriam o sol, que se despedia, de um laranja forte deixando escapar pelas bordas raios quentes e luminosos. Vi esse espetáculo. Fui platéia passiva e impotente diante de tamanha beleza... E calei. Calei frente à imensidão e desejei ser parte do universo. Desejei ser nuvem e sol, quente e forte, desejei ser beleza e harmonia perene diante da vida, do tempo e das emoções.
Meu corpo imóvel, paralisado, meus olhos abertos, profundamente absorvidos no infinito fantástico da minha visão. Sob o sol e nuvens e raios laranjas o mar, de um verde imenso, continuei imóvel... Meu corpo imóvel e minha alma a querer deixar-me... Entregar-se.
E como um milagre, saí de mim... Olhei-me, tentei buscar-me em visão. Sentir-me. Entregaria a minha vida, morreria mais uma vez com o sol para que visse surgir o novo e o extraordinário.
Sabia que aqueles olhos queriam deixar rolar lágrimas... Lavar-se. E senti em minha a mais absoluta união com o universo, com a minha essência... Tudo de mim, em mim. Senti amor... Tanto amor que fiquei pequena demais para acomodar em mim. Minhas palavras eram muitas para que minha boca as pronunciassem e minhas mãos presas para gesticular ao vento. Aqui fora eu me sentia grande, feliz, livre e não precisava falar para ser ouvida. Não precisava olhar para que meus olhos vissem, não precisava tocar para que sentisse minha pele, meu corpo, meu calor. Minhas certezas, minha felicidade. Mas, tu não viste... Não sentiste e não entendeste. Não escutaste meu silencio que falava. O silêncio que entoava a minha alma. Não olhaste meus olhos. Não viste o espetáculo que eu vi. Não sentiste o que senti. Não saíste de dentro de ti para que isso fosse o fim de toda a nossa limitação. E continuei a olhar o céu... O mar, as nuvens, o sol e seus raios, continuei a olhar a mim... Com olhos profundamente entregues ao universo que sou eu, em raios laranjas e vermelhos do sol, céu azul, sobre a imensidão do verde do mar.


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