Sexta-feira, Setembro 30, 2005
 
Uns Versos Quaisquer

Vive um momento com saudade dele
Já ao vivê-lo . . .
Barcas vazias, sempre nos impele
Como a um solto cabelo
Um vento para longe, e não sabemos,
Ao viver, que sentimos ou queremos . . .

Demo-nos pois a consciência disto
Como de um lago
Posto em paisagens de torpor mortiço
Sob um céu ermo e vago,
E que nossa consciência de nós seja
Uma cousa que nada já deseja . . .

Assim idênticos à hora toda
Em seu pleno sabor,
Nossa vida será nossa anteboda:
Não nós, mas uma cor,
Um perfume, um meneio de arvoredo,
E a morte não virá nem tarde ou cedo . . .

Porque o que importa é que já nada importe . . .
Nada nos vale
Que se debruce sobre nós a Sorte,
Ou, tênue e longe, cale
Seus gestos . . . Tudo é o mesmo . . . Eis o momento . . .
Sejamo-lo . . . Pra quê o pensamento? . . .

Fernando Pessoa (Poemas Inéditos)

Especialmente dedicado a Liliana Miranda, em tom de pedido de desculpas, amiga presente e constante, apesar de longe muito perto. Um beijo enorme para ti.

Banda Sonora: Alice In Chains - Angry Chair

Segunda-feira, Setembro 19, 2005
 
Estarei por perto...

Não tens que agradecer. Foi para mim um prazer enorme ter estado aqui a partilhar com os nossos amigos de sonho. Estarei sempre por perto...
Quero aproveitar a oportunidade para dizer a todos que aqui estiveram a ler-me na tua ausência que me senti muito bem recebida por eles. Quero deixar um beijo muito grande a todos!
ZooMancer.. beijo-te com carinho.
Deixo um poema.


Lua Adversa

Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
Tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
No secreto calendário
Que um astrólogo arbitrário
Inventou para meu uso.

E roda a melancolia
Seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
Não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
O outro desapareceu...

Cecília Meireles

Sexta-feira, Setembro 16, 2005
 
Desabafo inconsequente provocado por stress pós-férias.

Quase que já não me lembrava de como era trabalhar. Foi um mês de férias em que vivi feliz e pacificamente os meus dias e as minhas noites.
Quando acordava, uma das vistas da minha janela era esta:

Bonito não é?
E olhando pela janela o rio Douro a serpentear fui feliz durante um mês interirinho!
De forma subtil foi-nos sendo incutida a ideia de que trabalhar é que é bom, de que no trabalho honesto é que está a virtude e ainda que quem não trabalha é parasita ou marginal...
Contudo, por dever cívico e obrigação moral e democrática somos obrigados a votar naqueles que nada fazem. Coisa estranha e sinal dos tempos que correm.
Ora, olhando para o mundo de hoje em que é célebre e considerado quem coça os ditos cujos “tin-tins”, seja no governo, seja no big brother, seja em programas de televisão em que o atributo principal é a orientação sexual dos apresentadores, seja onde for, eu penso para com os meus botões... “rapaz, esforças-te para quê??”....
Hummmm... assim de repente não encontro resposta, mas pensando um pouco melhor acho que tudo se resume a uma palavra: dignidade.
O que distingue aqueles de quem se esforça verdadeiramente por fazer um bom trabalho é a dignidade, o carácter. Seja pessoal, seja profissional, seja até emocional.
Dignidade... mais uma coisa em desuso.
E assim, alguém ainda se lembra dos fogos, da impunidade dos perpetradores, da irresponsabilidade daqueles que no Quénia assistiam ao país em chamas??
Vamos a votos daqui a um mês... e suspeito que a maior parte das nossas autarquias vão ser lideradas por estes “coça tin-tins”, que sem dignidade buscam apenas a satisfação de caprichos pessoais esquecendo o tal do “serviço público”.
Ou ainda, já repararam que a maior parte das “manifestações cívicas”, briosamente comandadas por lideres sindicais saídos da revolução dos cravos (ou outras), visam apenas a manutenção de privilégios sociais que são incomportáveis num estado de direito democrático?
Isto é, em palavras simples, a negação absoluta dos tais ideais revolucionários e sociais que tantos dizem professar, mas que investidos nos seus privilégios burgueses logo esquecem.
Enfim... desculpem-me mas hoje encontro-me em estado filosófico...
Por falar em filosofia, alguém tem por aí um “mensalão” por aí que me desafogue as finanças?
É que eu preciso de ir de férias e estou sem cheta!!

Banda Sonora: Sigur Rós - Milanó (para tranquilizar o espírito)

Quinta-feira, Setembro 08, 2005
 
Voltei!!!

Voltei, mas contrariado... por mim tinha ficado! Mas infelizmente como quem não trabuca não manduca, cá estou eu de volta ao trabalho, ao blog e à vida normal.
Foi um mês excelente em que me diverti, passeei, apanhei arzinho na molécula e desopilei o espírito. E não senhora, Lualil, não apanhei sol de mais na moleirinha! E não Dayse, não tenho a pele alva e nem sou toco de madeira ao sol, sou sim neste momento um morenaço de fazer inveja a qualquer um! hehehe
Como só tenho férias uma vez por ano, quando regresso venho sempre com aquela sensação de “ano novo”, um novo ciclo que começa e com ele os novos projectos amontoam-se. Estou cheio de ideias, mas a principal é: VIVER!!!
Sim, isso mesmo, viver, com mais intensidade, mas principalmente fazendo um esforço para não perder de vista aquilo que é importante. Por vezes esquecemo-nos do que é realmente importante e chegamos a perder completamente a cabeça apenas porque vamos chegar atrasados 5 minutos a um lugar qualquer para fazermos uma coisa sem qualquer importância...
Passei um mês inteiro sem usar relógio e acreditem, foi uma experiência formidável!! Quando não contamos os minutos o dia rende mais e não haver hora marcada dá-nos uma sensação de liberdade formidável.
Portanto, meus amigos, estou de volta para mais um ano entre o sono e sonho!!

Obrigado!

Obrigado Lualil por este mês de palavras, poemas, imagens, intenções. Principalmente, obrigado por deixares aqui um pouquinho desse teu enorme coração. A tua presença aqui é um privilégio para mim, para o blog e para todos os que nos visitam.
Aqui, como sabes, tens sempre um lugar.
Aquele beijo para ti!

Banda Sonora: Team Sleep - Ataraxia

 

Terça-feira, Setembro 06, 2005
 
NOTA DE DESAPARECIMENTO

Quero comunicar a todos o desaparecimento de uma pessoa do sexo masculino, trinta e poucos anos, estatura média, olhos verdes(ou esverdeados), sorriso gostoso, olhos pequenos e expressivos, pele branca.. digo, bronzeada(a esta altura será que já descascou?) e que costuma responder pela alcunha de ZooMancer. Por favor, peço a todos, encarecidamente, que se souberem ou virem algo me comuniquem o mais rápido possível, uma vez que já estou ficando muito aflita, pois o gajo saiu dizendo que ia passar umas feriazinhas de nada fora a dar uns mergulhos e ouvir música por aí e até agora não retornou.
Não sei se se perdeu ou se acharam ele. Não sei se foi pescar e pescaram ele. Não sei se foi mergulhar e mergulharam nele.. enfim, o fato é que estou muito aflita mesmo.. já nem sei o que pensar.
Além do mais, me deixou uma reserva de alimento para apenas trinta dias e já estou ficando morta de fome.. me deixou algumas carteiras de cigarro e já agora fumo o último cigarrinho... e mais uma vez olhei para fotografia que também deixou comigo para que eu não me sentisse sozinha...
Puxa, estou mesmo muito nervosa... descontrolada.. histérica!! Pensem comigo, viver na europa hoje em dia não é muito seguro. Aqui no Brasil as pessoas quando estão pretendendo sair e não voltar nunca mais elas costumam usar o truque do cigarro: Vou ali comprar cigarros querida.. e eis que nunca mais aparece! mas O Zoo não fuma... será que ele me disse que ia comprar outra coisa qualquer e não escutei direito?! não.. não lembro mesmo!
Bem, o fato é que estou nervosa.. quer dizer, histérica mesmo! Espero que nenhum tubarão tenha tido o atrevimento de comer aquela carne toda! ( ehehe)
(Pausa) o último trago.
Fui até o armário da cozinha e me dei conta que aquilo tudo está vazio.. quer saber? A cozinha está vazia.. a sala está vazia.. o quar.. bem, o jardim está vazio.
Encontrem o Zoo e o tragam de volta!! liguem para a emergência, para o bombeiro, para a policia.. enfim!
... oooooops! o que é isso aí que estou vendo?!
Ei!! Pode sair atrás da porta! já te vi!! Não tem graça nenhuma! Vamos... sai daí! Vai aparecer eu quer que eu te pegue pelas orelhas?!

Sábado, Setembro 03, 2005
 
Paulo Monteiro

amar é um elo
entre o azul
e o amarelo
Paulo Leminski

Sexta-feira, Setembro 02, 2005
 
(Enquanto o nosso "cara pálida"... digo, cara bronzeada não chega! )

De repente no meio dos índios

Cooorreeee mãe.... lá vem um cara pálida atrás da gente!!! Ele quer nos pegar!!!... (grito) Uuuuuuuuu!!!!! Todas essas crianças juntas não podia ser de outra maneira... todas essas crianças??? Só tenho duas aqui em casa... digo, oca. Na realidade isso me parece uma taba inteira em alvoroço, cavalos correndo, ocas pegando fogo, crianças chorando, mães aflitas atrás de seus filhos.....
Pronto! Aqui estou eu no meio de uma invasão de caras pálidas a uma aldeia indígena! Logo eu?!?
_Tenho o que fazer!! Parem já com isso!!!
_Corre mãe!! Eles vão te alcançar! Vamos buscar ajuda... meu indiozinho desesperado me adverte.
E agora? Não sei se corro mesmo ou se enfrento de vez esses caras pálidas. Acho que nem tenho saída, não posso abandonar assim o meu povo, a minha aldeia. Vou procurar minhas armas... onde foi que coloquei meu arco e minha flecha??
Alguém bate a porta.
_ Oi Vivi, Digo ofegante, entra... fica à vontade.. (como se isso fosse possível)
_O que está acontecendo aqui?? Socorro!!
Subitamente é agarrada por um de nossos índios. Amarrada numa cadeira que seria supostamente um tronco de árvore. Fica sendo rodeada pelos índios que gritam de um lado para o outro.
Também eu queria participar deste ataque, afinal capturamos um cara pálida dentre muitos que estavam tentando acabar com nossa aldeia.
_Por que homem branco quer destruir nossa aldeia?? Que índio fez?? Índio ser bom!! Gritava um dos índios, que de cabelo espetadinho parecia mais roqueiro que um índio.
_Gente... vocês estão malucos?? Sou eu!! A Vivi.. parem já com isso!!
_Branco quer destruir tudo! Índio quer paz!! Dizia a índia com nome de princesa libertadora dos escravos. Ela devia estar tendo lembranças da época da libertação. Desta vez libertaria os índios desse outro tipo de escravidão.
Já estava eu completamente envolvida, queria saber o motivo de tanta destruição. Mas aquele homem branco, no caso uma mulher, não estava com jeito de quem daria alguma explicação. Olhava a nós pobres índios com cara de pavor! Depois de muito tentar saber os motivos desse ataque e com o desespero nítido no rosto da nossa “homem branco” resolvemos soltá-la.
Vivi estava sem entender nada, mas já estávamos mesmo passando da conta... caímos na risada... rimos e rimos. Vivi ainda não conseguia achar graça alguma. Talvez não tenhamos defendido toda a aldeia mas que nos divertimos isso não resta a menor dúvida, nos divertimos sim, eu e meus indiozinhos.


Powered by Blogger