Segunda-feira, Março 10, 2008
 
Amiba Parte 4 – A substância.

A amiba não tem substância. A amiba não tem vontade. A amiba não pensa. A amiba não decide. A amiba não deseja. A amiba não imagina. A amiba não interage. A amiba não sonha.
A amiba existe. (ponto final)
E nós? - Também.
Se um rapaz ou mocinha, não viverem de acordo com aqueles padrões “amebóides” não existem. São marginais, são uns chatos do caraças sempre com filosofias baratas, parecem gajos e gajas revoltados contra alguém, sempre a questionar, sempre do contra!! Chatos peçonhentos que ainda por cima são feios!! Vestem-se mal, não sabem quem é quem no mundo, não sabem como curtir a vida e ainda por cima pensam que só eles têm razão!! Intelectuais armados ao pingarelho. São uns pedantes que não sabem nada de nada e pensam que sabem tudo só porque leram uns livrecos quaisquer ou ouvem musica que ninguém ouve, vão ao cinema ver filmes deprimentes e só vêem problemas no mundo. Não há paciência para estes gajos!! Porra! Hehehe
Nós pelo contrário no rebanho somos felizes, ah! Se somos!
Somos perfeitos, bonitos, divertidos e caramba sabemos dar uma festa.
Vivaaaaaaaa!
No entanto… talvez sintamos um vazio no coração ou talvez não, amibas não têm coração.

Banda Sonora:Bem a propósito estou a ouvir “In this Twilight” dos Nine Inch Nails. A letra diz assim:

Watch the sun, as it crawls across a final time
And it feels like, like it was a friend
It is watching us, and the world we set on fire
Do you wonder if it feels the same?
And the sky is filled with light, can you see it?
All the black is really white, if you believe it
As your time is running out, let me take away your doubt
You can find a better a place in this twilight
From dust to dust, ashes in your hair remind me
What it feels like and i won't feel again
Night descends, could I have been a better person?
If i could only do it all again
And the sky is filled with light, do you see it?
All the black is really white if you believe it
And the longing that you feel, you know none of this is real
You will find a better a place in this twilight


Quinta-feira, Março 06, 2008
 
Amiba Parte 3 – A forma.

Wow! Que corpo!!
Ginásio, academia, 3 horas por dia a muscular o corpo para evitar ter de muscular o cérebro. Homem todo bom, mulher toda boa, ambos comprados pelo mesmo preço de preferência a crédito e com prestações mensais suaves. A taxa de juro que se lixe.
Nisto somos diferentes da amiba… ela não tem qualquer interesse pela forma, nem tem forma. Por outro lado a forma da amiba é a única coisa que lhe permite existir, como alguns de nós.
No tempo nos nossos avós a parteira punha o delfim cá para fora e dizia: “é escorreito!!”, escorreito, isto é um ser com braços, pernas e cabecinha entre duas orelhas sustentada por um pescoço. Normal, sem defeito, vivo e de saúde. E isto era muito bom naqueles tempos.
Hoje na clínica paga a crédito o melhor obstetra da cidade diz: “é perfeito!!”. Vai ser um cantor de primeira nata, olhem-me para estes pulmões, perfeitos!, engenheiro, arquitecto, doutor caramba, futebolista a ganhar 1 milhão de euros/mês, ou actor na novela das nove.
Desde que nascemos perseguimos esta excelência e um dia chegamos à conclusão que somos normais. Normais – pecado capital século 21.
Dentro da normalidade, movemo-nos, comemos, reproduzimo-nos no entanto com uma forma espectacular. Glúteos arrebitados, porcelana nos dentes, silicone no peito, zero caloria, zero cáries, frango alterado geneticamente grelhadinho e salada, tudo consumido em doses homeopáticas para estarmos lindos e prontos a vender, a comprar.
Ao contrário da amiba e como ser multicelular trabalhamos as nossas células para parecermos alguém que segundo um padrão qualquer nos torna mais vendáveis, um produto mais apetecível para o consumo, quanto mais não seja próprio. Eu até comprava uma Gisele Bundchen qualquer… mas não tenho dinheiro.

Banda Sonora: Goon Moon - Apple Pie


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